Vamos falar sobre os mitos em que está envolvido. Os Prós & Contras de esta operação e ouvir as opiniões de quem já experimentou.
Eu na minha opinião apenas tive poucas oportunidades de experimentar braços escalopados (normalmente faço este serviço para poucos trastes nas primeiras 2 cordas, dai a minha opinião ser muito limitada)
Contudo, sabia que um conhecido Luthier/ Reparador de guitarras chamado Dan Erlewine tinha um artigo bastante interessante sobre este tema. Não é uma tradução fiel, mas um resumo:
Escalopar um braço significa remover madeira de entre os trastes para que os dedos nunca toquem a madeira do braço da guitarra. É um trabalho complicado e por isso não recomendado a DIY. Contudo, esperem que este trabalho seja algo caro, já que quase sempre tem de se trocar/nivelar os trastes. Existem braços de substituição já escalopados, o que é uma boa opção para poupar o braço original da guitarra.
Tocar um braço escalopado requer reaprender a tocar a guitarra com um toque mais leve. Se pressionarmos demais, teremos notas desafinadas. Descobri que é fácil aprender a tocar assim. E pela 1ª vez na minha vida senti os dedos relaxados a tocar guitarra. Conseguia tocar mais depressa e com precisão, já que os meus dedos não tinham de lutar contra a madeira do braço. Isto vai contra a ideia de Yngwie Malmsteen, que diz que é mais difícil tocar num braço escalopado, já que este requer acções altas. Não entendo porque ele diz isso.
Já que uma guitarra é um instrumento muito pessoal, os benefícios de um escalopado também são muito subjectivos. Tocando com uma senti os dedos muito relaxados, permitindo-me tocar mais depressa. Os hammer-ons precisam de menos pressão para ter ataque, permitindo-me fazer trills muito rápidos e tocar acordes com hammer-ons. Os pull-offs se tornaram mais fáceis, já que a carne pode ir mais fundo, dando-lhe um carácter mais percussivo. Pode-se tocar pitch bends como nunca podiam ser feitos (pitch bend é quando pressionamos a corda contra o braço, criando o mesmo efeito de um bending lateral) Até se poder fazer bending de acorde inteiros. Não pensem que pode ser recriado com a barra trémolo, ou num braço sem escalopar. A sonoridade é diferente.
Podemos tocar vibratos mais exagerados com muita facilidade, e os bendings se tornam mais fáceis, já que a carne pode segurar melhor a corda. O tapping de 2 mãos também se torna mais fácil. Com um braço escalopado, consegui ter um som mais equilibrado e limpo em todas as cordas, em qualquer posição, provavelmente porque não existe o efeito abafador da madeira.
Não recomendo escalopar uma guitarra vintage ou de grande valor comercial/sentimental. Escalopar fragiliza o braço, e este pode empenar consideravelmente (Se bem que pode ser compensado com o Truss Rod e um refretting completo, feito por um profissional) Pode-se perder os inlays, o que significa que teremos de meter novos. Sendo pontos é fácil, o problema é quando os inlays são grandes e elaborados.
Escalopar um braço não é reversível. O tom da guitarra vai alterar consideravelmente, e quase nunca para melhor (especialmente em acústicas). Se usais cordas 0.11 ou mais grossas, terão de abdicar delas para usar 0.09 e poder usufruir dos benefícios do escalopado. Para além disso um escalopado é caro e não há garantias. Se formos muito brutos a tocar, certamente teremos muitas desafinações, já que carregaremos com muita pressão a corda.
Recentemente um vendedor me disse:” Escalopar um braço não é grande vantagem. Os trastes altos fazem o mesmo.” Simplesmente não é verdade. Já experimentei as duas versões e não é. Posso não ter dito todas as vantagens e desvantagens aqui, mas dará para abrir o apetite.
Espero que se tenham gostado do artigo. Por favor, usem os comentarios para partilhar as vossas experiências.
Sou totalmente contra cópias....Copiar além de falta de criatividade, e crime.
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